Projeto Ciberintervenção Urbana Interativa

Este projeto foi desenvolvido no MidiaLab Laboratório de pesquisa em arte computacional da Universidade de Brasília. O Midialab desenvolve trabalhos que fazem parte da história da arte computacional e arte ativista. O projeto Ciberintervenção urbana interativa visa a produção no contexto da arte ativista em forma de ações, procurando diminuir as diferenças sociais. Para isto, utiliza o espaço urbano como contexto para a arte, fazendo projeções interativas sobre a arquitetura, durante percursos pela cidade. Deste modo, a proposta vai ao encontro do grafite como arte, apropriando-se do espaço urbano.

Segundo Venturelli (2004) a arte no contexto das novas tecnologias data do início do século 20, onde se inserem, por exemplo, a fotografia e o vídeo. Já a arte computacional relaciona, atualmente, arte e ciência da computação, e uma das principais características dessa linguagem é a interatividade. A arte computacional está vinculada com o desenvolvimento das linguagens de programação e dos computadores, sistemas imprescindíveis para os artistas que produzem na área. A arte interativa da pesquisa se dá neste contexto, pois é necessário o conhecimento de programação.

A palavra Ciberintervenção tem origem na junção das palavras cibernética e intervenção. Cibernética é a ciência que tem por objeto a regulação e comunicação nos seres vivos e nas máquinas. A palavra intervenção tem origem em interveníre, que significa estar entre; intervir. Assim, cabe ressaltar que os aspectos presentes na etimologia do termo intervenção devem ser considerados no tocante à arte que ocupa o espaço urbano e que procura modificá-lo, e no caso desta pesquisa, diminuir as diferenças sociais.

Esta redução das diferenças ocorre, pois não utilizaremos os espaços tradicionais da arte. As intervenções visam, portanto, a despertar as percepções amortecidas dos transeuntes, transformando as vias de trânsito em regiões de ocupação. Nesse espaço urbano, o contato com a arte ocorre a partir da surpresa, desencadeada pelo encontro casual.

A palavra urbano tem origem do latim na palavra urbánu’, formado pelo antepositivo, urbs,is ‘cidade; por oposição a campo’. A utilização da denominação espaço urbano indica o ponto de vista de alguém inserido neste local, visualizando, logo, especialmente o espaço de fora, de trânsito, desenhado pelas construções privadas inacessíveis internamente ao olhar coletivo. O espaço urbano é público, pertencente a uma coletividade, característica que privilegia as diversas expressões humanas, incluindo as manifestações artísticas.

A história da arte indica que atualmente, as regras da arte se transformam em decorrência das paisagens, sendo o espaço urbano a paisagem contemporânea. O autor aponta a função da arte atualmente: construir imagens novas para esse espaço, que passem a compor a própria paisagem. A arte deixa os espaços consagrados a sua exposição e ocupa os espaços do cotidiano. O Grafite, no contexto da arte contemporânea, significa inscrição no espaço público. Estas inscrições são elaboradas por indivíduos de comunidades urbanas, que, por meio de diferentes técnicas e tecnologias, fazem suas críticas políticas e sociais. Deste modo, estes indivíduos subvertem os meios de comunicação, utilizando a rua como canal direto de inserção na vida cotidiana.

Consideramos que o percurso escolhido também é parte da construção de significado, e esta idéia vai ao encontro do conceito de cartografia. Segundo Suely Rolnik (1989) a cartografia – diferentemente do mapa, representação de um todo estático – é um desenho que acompanha e se desenvolve juntamente dos movimentos de transformação da paisagem. A pesquisa propõe a cartografia colaborativa, pois visa também a participação do público.

Neste sistema interativo, qualquer pessoa poderá enviar textos que passam a ser projetados automaticamente, além de propor percursos para as ações. Pretendemos que os resultados das ações sejam monitoradas em tempo real na rede social wikinarua.com. Segundo Plaza (1998) a interatividade é o intermediário entre homem e máquina que permite a sinergia, ou seja, a ação coordenada desses elementos. Como afirma Plaza e Tavares (1998), através do modo interativo, o modelo é aberto ao mundo exterior e deixa de funcionar em circuito fechado. “A interatividade como relação recíproca entre usuários e interfaces computacionais inteligentes, suscitada pelo artista, permite uma comunicação criadora fundada nos princípios de sinergia, colaboração construtiva, crítica e inovadora” (PLAZA, 1998, p.35). Portanto, sem o interator a obra não acontece.

A proposta relaciona o espaço_tempo das cidades e os espaços cibernéticos em rede. Tem como ponto de partida de estudos artísticos e experimentais sobre intervenção urbana desde os anos 80 até a atualidade com intervenções tradicionais até as ciberintervenções atuais.

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